Sobre a Felicidade
novembro 15, 2011 1 Comentário
Partindo do princípio que a pessoa não acredita em vida após a morte, podemos assumir que todos querem viver para aproveitarem a vida e serem felizes. Podemos assumir que o tempo passa absurdamente mais rápido quando estamos felizes, do que quando estamos pensando no que estamos sentindo. Podemos concluir, então, que o objetivo dessa pessoa é simplesmente viver para morrer mais rápido. Postergar a vida é a dor, e morrer é a libertação de um sonho que foi tão necessário quanto aqueles dentro do próprio.
Se tem algo que me irrita é quando as pessoas veem uma coisa de um só jeito. E tendem a fazer isso com tudo, e o pior de tudo, em conjunto elas definem que certas coisas são de um jeito, e em conjunto elas te manipulam para isso. Mas nunca é de um jeito só, é o meu argumento sobre qualquer coisa.
E a felicidade vem me tirando a calma. As pessoas impõem seus status alegres como se fossem me contagiar com o sentimento. Ou implicitamente me fazem sentir culpado por algo que eu nunca soube buscar, e ultimamente não sei do que se trata. E não é um texto depressivo, não quero dizer que odeio minha vida e não posso ser feliz com ela, de fato, segundo vocês, eu teria obrigação de ser feliz como eu sou.
Não sou um africano passando fome, não sou um aleijado que toca violão com os pés, não tenho um irmão mais novo em estado degenerativo no hospital. Até por isso vai o meu ponto, essas pessoas não têm obrigação de serem felizes; assim como eu, com os meus limitados problemas, não tenho. Se elas são, mérito para elas, se eu não sou, não é nenhum demérito para mim.
A existência é tão rasa que procuramos um sentido sempre subindo uma camada a mais, é natural do ser humano pensar por camadas. Acima de como eu me sinto agora tem como eu me sinto hoje, e acima disso como eu me sinto essa semana, esse mês, esse ano, essa década, na minha vida. E quando olhamos para trás, vemos que tudo mudou, para melhor ou para pior, e sabemos que não nos sentimos melhores por isso, o vazio começa a bater. Olhando pra cima pra buscar o sentido, a tendência é achar mais perguntas sobre o por que de ainda estar aqui, ou o mais forte para alguns, o por que de ainda não ter ido embora.
No meu caso, particularmente, é comodidade e medo. É cômodo, não dói viver desse jeito. E dá medo, saber que apesar de tudo existem pessoas que sentiriam minha falta, mesmo eu não me importando nem um pouco de estar aqui ou não. Tudo acostuma, tenho essa premissa, mas de que vale arriscar?
Não sou feliz, não me importo de ser, e não vou impor isso a ninguém, por que me impõem felicidade? Por que tentam dizer que se importam só para se sentirem melhores consigo mesmos? É fato que não existe ação altruísta, todos só querem a sensação boa que dá de se fazer o bem para o próximo, no fim todos querem o próprio bem. De que vai te fazer mais feliz, se tu jogares na minha cara que eu não sou? E se tu, de fato, vai ficar mais feliz, de que me importa? Respeito é bom até nas coisas mais básicas. Se a nossa sociedade aprendeu com o tempo a respeitar negros e homossexuais, por que a minha diferença é tão maior? Não faço mal a ninguém se não me sentir bem, assim como não faria bem a ninguém se me sentisse.
A indiferença é a chave, o mundo é indiferente a mim e eu igualmente assim o vejo. Até que algo ou alguém me tire pra burro e me bote de volta com a premissa mais estúpida, sou um moribundo concorrendo à loteria da morte quieta.

mas louco é quem me diz que não é feliz