Sobre retrospectivas, acaso e humildade.

Escrevo no limite entre a humildade de ouvir o que pensam de mim, e o egoísmo de escrever só pra falar sozinho.

E dizem que o homem que não muda de opinião é ignorante. E dizem que minha vida é pautada de coisas que dizem, eu digo.

Esse negócio de assistir muito filme deixa a gente com estereótipos na cabeça; acho que cheguei a dizer que não sou protagonista na minha vida… bobagem. Não sou herói, mas nem só de filmes de aventura vive o cinema. Já assisti a filmes lindos que não fazem sentido nenhum durante todo o próprio segmento, e no fim laçam a história de um jeito lindo. E já vi filmes muito bem contados com finais absurdos. A vida é assim, querendo ou não, viver da chatice de um roteirista sem graça seria tedioso.

O que eu quero dizer é que a vida não tem sentido, nem por isso ela não se acha em alguns pontos. Eis o que eu acho sobre retrospectivas:

Você sempre vai pender para o final do ano, esse negócio de “o ano passou rápido” vale pra quem começa a contar no fim. E se a busca por um sentido vem no encerramento, a retrospectiva é tendenciosa. O que eu quero dizer é que quando olhamos pra trás pra buscar um sentido, às vezes não percebemos que achamos ou deixamos tudo passar junto com isso.

Válido para qualquer coisa, quando pensamos demais deixamos de agir. A experiência quase sempre é mais válida que a teoria, o que me dói dizer, já que sou um teórico raso de praticamente qualquer coisa que tu possas pensar. E a vida passa enquanto a gente pensa se vai ser bom naquilo. As oportunidades.

Se eu sou centrado hoje é por um golpe de sorte, e por uma definição empírica de querer correr atrás dele. Não quer dizer que eu não tenha mérito, mas também o teria caso não desse certo. Não seria hipócrita de dizer que “uma hora dá certo pra todo mundo”, mas é uma coincidência absurda que o acaso não te coloque nada aproveitável para agarrar. O Santo Acaso Maldito.

Queria ser mais subjetivo e não aparentar tanta carência, mas quem se importa, se isso, de algum jeito, é bom pra mim? O pouquíssimo que eu escrevo sai direto do peito, mascarar os sentimentos seria mero capricho. Acho que se as pessoas não caprichassem tanto talvez fossem mais felizes; pelo menos conversariam mais e gastariam menos dinheiro com terapeutas.

Sobre a humildade, pra fechar o círculo do pensamento, acho que somos sempre muito jovens pra pensar que já entendemos tudo na vida, arrogantes até. O acaso, pra fechar a outra ponta, nos prova que tudo tem um sentido quando aplicamos o que queremos nisso. O que eu quero, pra não me decepcionar de novo, é ser humilde, aprender a me decepcionar e não me achar especial por isso. Não rir de quem sente dor achando que a minha dor é única. Não olhar por cima de quem é feliz achando que eu não posso. De novo, gostaria de ser mais subjetivo, mas quem se importa, depois de anos eu tenho algo novo pra correr atrás, bendita sorte, e se eu errar, por que me achar superior à tentativa?

não tentem entender o porquê da música, sério.

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